terça-feira, 18 de agosto de 2009

Violentómetro


É Plausivel a aprovação da nova lei contra a violência doméstica contra as mulheres e crianças, uma maneira justa das mulheres mostrarem o seu poder e do governo mostrar a sua preocupação com o sexo "frágil", a mãe da nação. Mas eu digo porém (corrijam-me se estiver errada) que essa lei é apenas uma maneira de tapar o sol com a peneira, embora a intenção seja a das melhores convenhamos que uma das causas da violência em todo mundo não é falta de punição (até mesmo porquê, mesmo antes dessa lei abrangente aos mais desprotegidos a violência ja era punida, la à sua maneira, mas ja era punida no país, ja tínhamos um ou outro recluso nas penitenciárias penalizados por cometerem actos de violência contra esposas e derivados)mas sim a omissão dos actos.

O que precisamos para erradicar a violência não é de um papel sacramentado e assinado, precisamos de um milagre, uma espécie de violentómetro. Do mesmo modo que temos o bafómetro a indicar a presença ou não de um nível de alcool elevado nos nossos condutores, o violentómetro indicaria se qualquer indivíduo comete ou não actos de violência doméstica. Isso porque como o dito antes, o que nos falta não são leis a punirem mas sim coragem para denunciar os infratores... precisa-se que as mulheres se conscientalizem que aquele homem que tem em suas casas está muito longe de ser um deus, portanto não é seu dono, não pode fazer do seu corpo o que bem quiser e entender. Que bater, violentar, agredir verbal ou sexualmente não é uma maneira de mostrar amor, mas sim uma falta de respeito para o seres espetaculares que elas são.

Para eliminar a violência é preciso que ela seja ouvida logo no princípio e socorrida, banida da sociedade, e somente a vítima tem o poder de banir a violência do seu meio, e ja que muitas vezes por meio de coação por parte do violentador a vítima não denuncia, precisamos criar um violentómetro e espalha-lo pelas ruas. Assim cada vez que alguém que cometa um acto de violência passar por esses engenhos logo dispara (pipipipipipipipi) daí a polícia poderia entrar em acção e colocar em vigor a lei contra a violência doméstica contra mulheres e crianças.

Mas todos sabemos que inventar esse objecto seria o mesmo que transformar a água em vinho, logo cabe a cada um das vítimas ser o seu próprio violetómetro e apitar (pi pi pi pi pi) cada vez que sofressem qualquer espécie de abuso.
As mulheres principalmente, precisam saber que não denunciar um violentador porque tem por eles sentimentos profundos ou então dependem dele financeiramente não está a ajudar a resolver os seus problemas, muito pelo contrário está a incentivar os filhos (meninos) a serem violentos no futuro e as filhas (meninas) a serem submissas aos caprichos de futuros maridos.

Eu diria que deveria se elaborar uma lei que punisse as mulheres vítimas de violência que não denunciam os seus vilões. E a A.R deveria aprovar a lei por unanimidade, so assim para que a primeira lei surta os efeitos esperados.

CARA E COROA

Existe uma brincadeira muito comum entre as crianças que é o cara ou coroa, todos nós aprendemos a jogar quando pequenos, normalmente faz parte do processo de desenvolvimento, aliás as brincadeiras tem um papel muito importante no crescimento, ajudam as crianças a se socializarem a discernirem entre o certo e o errado, o bom e mau e principalmente a escolherem de que lado querem estar.

O que acontece é que parece que com o andar do tempo, quanto mais adultas ficam as pessoas mais rápido se esquecem das brincadeiras de criança e principalmente dos valores que elas nos ensinavam, e para alcançar o poder e "estabilidade" social passam a inventar novos jogos e brincadeiras, e o mais comum entre os inventados é CARA E COROA.

Se antes eles tinham que decidir entre a cara ou a coroa, hoje não precisam mais. Ficam-se pela cara e pela coroa. Esses seres sem nenhum escrúpulo muito menos personalidade, veneram empoleirar-se aos muros e ficar entre o SIM e o NÃO sem se decidirem pelo TALVEZ, é incrivel como para eles é facil misturar o preto e o branco e não obter o cinzento; adoram um casamento de macacos, a mistura entre o sol e a chuva.

E essas personalidades que se esqueceram que um dia foram crianças e de como era prazeroso brincar e ter uma escolha única por mais que não fosse a correcta, compõem uma minoria activa no nosso país, um meia dúzia que representa Moçambique e é reconhecida no mundo. Esse grupo de ELITE é que faz a cara da nossa nação la fora. E os outros que eu não chamaria de bem intencionados, mas que ao menos sabem exactamente que posição tomar referente a qualquer situação proeminente, esses apesar de constituírem uma maioria que eu acredito que sejam, nem se quer se lhes ouve a voz, não se lhes vêm os passos, eles andam e não deixam marcas, se gritam há sempre uma tempestade para os cobrir.

O incrivel é ver como, essa situação parece não incomodar a ninguém, como parecemos todos conformados em ensinar aos continuadores jogos que nossos pais não nos ensinaram, como a informação deturpada sobre o que seria ético e moral chega as nossas casas como se fosse tão natural como o Oxigénio que compõem o ar e nós a aceitamos. Aceitamos sorrisos cínicos, falsas promessas, aceitamos árbitros que nos incentivam a cometer arbitrariedades, polícias que nos conduzem a corrupções baratas nas vias públicas, aceitamos enfermeiros e serventes a extorquirem-nos a fim de exercerem as funções para as quais recebem o salário que é de assegurarem o que é nosso por direito: a saúde. Aceitamos ladrões a roubarem-nos ainda os apelidamos carinhosamente de Estado, aceitamos o lixo nas nossas ruas enquanto a EDM cobra-nos sempre o imposto da taxa de lixo, aceitamos ruas e estradas bloqueadas por períodos inaceitaveis enquanto emprenteiros receberem dinheiro do Estado que por mera "coincidência" é do povo, para melhorar as nossas vias. Aceitamos ainda uma série de situações que seriam cómicas se não fossem trágicas e não fazemos nada. Parece sinceramente que o descontentamento nos agrada.

E a questão que sempre me martela a cabeça como cidadã Moçambicana que aprendeu a jogar ao cara ou coroa vulgarmente conhecido como o jogo da batota (bandeira ou marca) é apenas uma: Será que para se viver e se fazer sentir em Moçambique teremos todos que começar a jogar a CARA E COROA?

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

FATALMENTE IMORTAL


Quando muitas vezes um certo grupo de amigos que se vê todos os dias possiveis, convive, descobre coisas, comenta assuntos de interesse comum, chega a conclusão que a sua vida está a cair numa rotina entediante, todos decidem que devem fazer algo diferente e exclusivo para não deixar que o que deveriam ser momentos de lazer se transformem em longas horas de mesmisses entediantes. Aí ideias vão surgindo, em poucos minutos forma-se uma espécie de assembleia informal, todos falam, muitos opinão, debatem veêm os prós e os contras, e o mais calado do grupo, que quase nem se ouve a voz cala a conferencia, sua ideia é explendorosa. Segue-se entre os 9 presentes um silêncio afirmativo, ninguém debate, ninguém contrapõe, está claramente confirmado. A sua ideia foi aceite, a festa numa praia a 3 horas de distância a noite sem hora para terminar e sem um tecto a cobrir, cativa. Olhos emocionados vislumbram aquilo que seria o fim de semana de sonhos, as 4 mulheres presentes se imaginam a desfilar os seus modelitos de bikini ao som do House em plena madrugada, os homens se veêm rodeados de mulheres lindas e embriagadas a sua disposição e sem nenhum elo de ligação forte, que não o sexo momentâneo. O mentor da ideia tem apenas um e único objectivo, algo com que sonha a mais de 3 anos quando se juntou por força da paixão à aquele grupo de responsavelmente jovens curtidores...
Eis que se organiza tudo, entre decidir o que levar, juntar o dinheiro e comprar os suplementos passa-se a semana toda e espreita o tão esperado dia, depois do expediente ninguém fica para contar história, os organizadores, os convidados e simpatizantes todos pegam a estrada de 3 horas até ao local, a curtição é a valer, o mentor tímido como sempre está aí a observar e a juntar todo o seu leque de coragem para se aproximar da mais bonita e não menos malandra menina da turma, a mesma que o fez ingressar para o grupo de amigos. Entre um duplo e outro de Wisky ele vai arquitetando seu discurso e antevendo as possiveis respostas, o ambiente é propício e o momento não pode ser melhor, recém separada está sempre carente em festa de amigos.
Puxar-lhe para um ambiente trankilo e afastado na praia e nem por isso menos bonito, é o toque final para aquele momento mágico, e no decorrer do sopetão de palavras que ele debrocha sobre ela vê-se claramente a negação nos seus olhos, ele tem cada vez mais certeza do não que está prestes a receber e na facada que isso será para ele. Nao quer terminar de falar porque não quer receber a resposta, mas enfim ela vem, crua e vilmente simpática, artifício que só as mulheres possuem transformar algo negativo em simpático. Mas por mais simpático que seja, para um homem que guarda aquilo consigo a 3 anos é o mesmo que um relâmpago a atingir-lhe directamente a cabeça, despedaça-lhe o coração, arranca-lhe todos os 1095 sonhos que ele construira ao longo desse tempo que se resumiam num final feliz deles dois juntos. Sua reacção é um impulso que acontece numa mistura peculiar de timidez, vergonha, inteligência pouco cultivada e muito sentimento indefinido confundido com amor: Violência bruta. O ninho que ele preparou para despender a sua primeira noite com a amada transforma-se na testemunha mortífera da conjunção da paixão carnal e vontade de possuir, de ter o facto consumado, que so pode culminar em tragédia, ela morta num golpe covarde do seu institinto animal. Entre gritos e risadas ninguém ouve seus apelos de socorro, ninguém entende que o que se confunde com amor é exactamente o que tira a vida naquele momento de festa piamente esperado. Ele dorme aí em cima do seu corpo rasgado e frio, ela permanece aí fatalmente imortal aos seus olhos, ninguém pode acreditar. Ele passa a noite toda a recitar poemas ao cadáver dela.

Muitas vezes ignoramos os que estão ao nosso redor e nos esquecemos que a nossa realidade é também composta pelo quotidiano dos que nos rodeiam. Quase sempre o definidor do nosso destino está aí junto de nós, convivemos com ele e nem o reconhecemos, três anos é tempo demais de convivência para não se entender o carácter e a personalidade das pessoas. Convivemos com o psicopata em vários sentidos e so damos por isso quando ja não há retrocessos e ficamos fatalmente Imortalizados pela quantidade de crimes ideondos e sem explicação que acontecem no nosso nariz. Crimes não espontâneos, crimes que vem se realizando em longos períodos de tempo, dia após dia, inocentemente premeditados.

Como pode ser nosso amigo alguém que convive connosco por 3 anos, e não sabemos se quer que nutre sentimentos profundos pela nossa amiga?

quarta-feira, 29 de julho de 2009

É Simplesmente Complicado

É dificil e ao mesmo tempo complicado definir o estado da alma, quando tu não sabes se o que te encomoda são os sonhos não realizados ou o facto de não saber sonhar. É muitas vezes perturbador quando não se sabe separar o surreal da realidade, quando muitas vezes o dejá vù se incorpora no nosso quotidiano e nos deixa baralhados e faz nos confundir verdades com simples miragens, muitas vezes lindas, exuberantes, glamurosas e extraordinárias. Mas simplesmente isso: puras miragens, ilusões indeleveis daquilo que gostaríamos que fosse um Oasis no deserto árduo que caminhamos. E sempre a pergunta que fica quando chegamos ao que parece um fim da linha incerto, é se realmente valeu a pena tanta busca e tantos atropelos. Tantas quedas, perdas, apegos e desapegos.
Nós nos vemos tão apegados a situações tão fúteis e nos esquecemos do que realmente interessa, não me refiro so a família e tudo o que a compõe, refiro-me antes ao sermos nós, conhecermos nosso Ego, nossos limites, paixões e forças. Porque so assim saberemos, o quê nos inibi e que nos descontrai. Normalmente quando misturamos nossos anseios e a ignorância do sermos nós, nos desajeitamos e ja não sabemos quem somos, e não diferenciamos a realidade das nossas pretensões. E nos perdemos na busca daquilo que seria a satisfação dos nossos desejos, perdemos o orgulho, o amor próprio e nossa identidade. Nos tornamos mais um, nesse mar de incomformismos e revolta. Viramos escravos do realizar, realizar algo que nos é deconhecido. Deixamos de correr atrás da realização dos nossos sonhos, visto que nem os sabemos definir mais, começamos a correr atrás de devastação do feitos alheios. Aí a inveja nos corrói, a imagem se desmorona, somos apenas reles viciados, nos consumimos de amargura com a felicidade dos que ainda sonham.
E como tudo tem um fim, assim do nada nos vemos num fim incerto, e olhamos para os atalhos que seguimos até aquele confim e descobrimos que eles estão cobertos de mato e todas a oportunidades que tivemos para sonhar e realizar esses sonhos se perderam na imensidão da floresta de egoísmo que nos acompanhou o caminho todo. Olhamos para o final, e tudo o que nos resta é a esperança de não ser o fim e de podermos ter uma segunda oportunidade de nos conhecermos. Tarde de mais, e aí sim experimentamos a verdadeira sensação de dejá Vù, sonho inalcansavel, e nos pomos a perguntar: E se?

Não deixemos que a esperença seja a nossa única companheira no final da linha, tenhamos também a doce sensação do dever cumprido e a tranquilidade na alma por termos seguido pelos nossos próprios caminhos e não tenhamos de nos desculpar com nínguem por o termos pisado durante a caminhada.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Sim, sou orgulhosamente Moçambicana!

Dias atrás recebi de um pensador Moçambicano o seguinte email:
"Ser moçambicano é:Não ter carta, mas criticar a condução dos outros, não ter estudos e criticar o facto de estudar, ganhar mal mas não procurar uma coisa melhor, não gostar do governo mas não votar, falar mal dos moçambicano que cantam e fazem 'boa' música e cantar mal e escrever musicas de merda, ter um riso diferente para cada ocasião, dizer que sim quando se pensa não, dizer que não quando se pensa sim.... Ser Moçambicano é não ter identidade.Cheguei a esta conclusão depois de terminr, a pouco, um debate sobre a juventude e estado da nação (moçambicana), Na televisão, que eu considerei uma pa-lha-ça-da, na minha humilde observação. Meus caros, se vos conto, não vão acreditar... Desde o apresentador (moderador?), que é daquele tipo de fazer reportagem de paragem e mercados até aos personagens... que logo cedo descreverei detalhadamente... Deixo-vos a foto, em anexo, para irem imaginando Como foi..."

Perante tamanha indignação do meu patriota por causa da identidade dos moçambicanos eis a minha resposta:
“Ola, esse email foi reencaminhado para mim e ao que tudo indica tu o escreveste. Bonitas palavras, muito bem colocadas. Meus parabéns
Mas deixa-me dizer que sou obrigada a discordar de ti. SER MOÇAMBICANO É TER IDENTIDADE SIM.
Ser um povo pacífico a procura de novas vertentes não faz de nós pessoas sem personalidade. Mau não é não ter carta de condução e criticar a condução dos outros. Mau é ter carta de condução, conhecer o código de estrada e conduzir mal. Isso sim é que é mau.

Te garanto que quem critica o facto de se estudar, ganhar mal e não procurar coisa melhor enquanto não tem estudos, não está a ser uma pessoa sem personalidade mas sim, está a contemplar factos evidentes, não ter estudos muitas vezes no nosso país não é opção mas sim uma das condições de sobrevivência e isso todos sabem, e ganha-se mal porque nem todos podemos ser patrões se assim o fosse a economia do país estaria multiplicada por zero logo nós como trabalhadores e em busca de sobrevivencia somos submetidos a salários incompativeis com as funções.

Os que fazem e cantam músicas de merda são uma minoria nesse país do mesmo jeito que existem em todo mundo, um grande grupo de oportunistas que não definem o povo batalhador que nós somos.

Ter um sorriso diferente para cada ocasião ao contrário do que pensas, nos identifica. Mau não é ter sorrisos diferentes, mas não saber sorrir e desse mal o povo Moçambicano não carece.

E se por vezes dizemos sim a pensar em não e vice-versa mostra que somos pessoas que se preocupam com o futuro e sabemos que pensar demais não significa que estamos sempre certos.

E ao contrário do que dizes, nós votamos sim... e talvez votemos sempre no mesmo governo porque ninguem ainda apresentou outra proposta diferente e confiavel. A nossa identidade de MOÇAMBICANOS sabe que ser oposição não é dizer sempre não ao que o Governo diz sim, mas dizer sim as necessidades do povo e ainda não temos isso nos nossos representantes.
Tu como Moçambicano que és, não devias aceitar pensamentos tão pessimistas sobre tua própria identidade. Mas eu como Moçambicana Identificada que sou aprendi das minhas origens a respeitar as opiniões dos outros, e respeito a tua maneira de pensar.”

quinta-feira, 23 de julho de 2009

É urgente a mudança de mentalidade!

Depois da aprovação no dia 21.07.09 da nova lei contra a violencia doméstica contra a mulher e crianças, observei que a sociedade Moçambicana está dividida em 6 grupos:

1. As vítimas assumidas

2. Os vilões assumidos

3. Os ignorantes (eu)

4. As vítimas inocentes

5. Os Covardes (lobos na pele de cordeiros)

6. LUTADORES



Vítimas assumidas

É uma boa maioria, parte delas compostas por mulheres citadinas, com acesso a toda a informação que a modernidade nos oferece. Mulheres que de vítimas muitas vezes se confundem com cúmplices na apologia aos maus tratos contra elas mesmas.

São mulheres trabalhadoras, com posições invejáveis perante a sociedade, cobertas de caras extensões e brilhantes unhas de gel, mulheres que frequentam grandes salões de cabelereiro e de festas. Mas que da porta de casa para dentro são nada mais além de escravas de quem banca tantos caprixos, muitas vezes elas não sofrem necessáriamente com murros e pontapés (algumas sim), mas a humilhação que passam verbal e sexualmente. Vítimas assumidas, que sabem e comentam em chás da tarde com suas amigas, variadas situações a que são submetidas. O preço quetem de pagar pelas suas vidas de luxo e glamour. Elas sabem da desvalorização que sofrem, e continuam atadas a ela...



Vilões assumidos

Ao contrário das vítimas assumidas, esses em sua grande maioria vivem fora do alcance das informações gerais. O que rege para eles é a cultura que adquiriram dos seus ascendentes: "Mulher se educa na porrada", eles esbofeteiam, chutam, empurram, esmurram e maltratam suas esposas na persença de todos e muitas vezes ninguém se mete (em briga de marido e mulher, fulano não mete a colher), agem como se elas fossem suas propriedades. Fazem isso assumidamente e elas não contrapõe se deixam bater... eles agem como se suas vítimas lhes pertencessem. Tipos assim existem demais em lugares recôndidos.



Os Ignorantes

São figuras assim como eu, que vivem num mundo cor de rosa, não sabem o que se passa com o vizinho do lado, as pessoas nascem e morrem e nós não nos damos conta. Sabemos que há violência em Moçambique mas enquanto não acontece connosco, é o mesmo que dizer que existem macacos, leões e cobras nas florestas. Somos uma grande maioria em todo o mundo, somos homens, mulheres e crianças que só olhamos para o nosso próprio umbigo, que a notícia de que em 2008 foram registados 14 mil casos de violência doméstica no país (4629 casos acima de 2007) para nós é notícia de outro mundo e a nossa expressão quando ouvimos isso é:"mas como? o nosso país é tão pacífico" pacifidade que muitas vezes so está nas ruas. Nós somos uma maioria.

Vítimas inocentes
São na sua maioria mulheres e vivem nas zonas rurais lugares que os ignorantes como eu mal sabem que existem no nosso país, nesses lugares prevalecem os ensinamentos que os antepassados deixaram de herença: "A mulher deve obedecer o homem", o homem pode bater e maltratar a sua mulher, so não a pode deixar desamparada, e aí elas deixam-se violentar porque acham que seus machos tem o direito de usar da violência (palavra que não existe no vocabulário delas) e elas tem a obrigação de aceitar afinal eles são seus "donos", a falta de informação lhes tranforma em escravas de rostos inchados e colunas quebradas, por causa do almoço com falta de sal e da criança a chorar na hora do futebol, tudo isso em troca do amparo e da segurança que supostamente o homem dá a uma mulher.

Os Covardes
São aqueles que estão sempre em contacto com a lei e a informação, muitas vezes eles mesmo a enobrecem e pelas costas, fora do alcance das vistas de todos abusam dos que os rodeam. São os considerados exemplares para o povo e convivem na sociedade de alma lavada, sempre a sorrir e a acenar, ninguém os imagina a cometer tamanhas barbaridades.

Esses são maridos que batem nas esposas, agridem verbal ou sexualmente, são esposas que ferem seus maridos com palavras, que os humilham pela posição social diferenciada que cada um ocupa, são pais que se arremessam covardemente contra os filhos, patrões que maltratam e humilham os empregados, chefes que se desfazem publicamente dos seus subordinados.
Covardes que se aproveitam da posição inferior da terceira parte.

LUTADORES
Infelizmente são quase ninguém, mas é o que deveríamos ser todos.
São aquelas pessoas que tem predisposição para alertar a vítima assumida do rumo que sua vida está a levar, tem palavras e firmeza para dizer ao vilão assumido que sua companheira tem direitos iguais a ele e qualquer tipo de violência é considerada crime e pode levar a prisão se denunciada, tem forças para chamar a atenção dos ignorantes sobre a triste situação de guerra privada em que o país se encontra, tem tempo e inteligência para explicar a vítima inocente que ela não é obrigada a passar por situções de violência e aceita-las, que a lei a defende. E principalmente os lutadores tem coragem para denunciar os covardes que abusam do poder que tem para maltratar os seus inferiores.

É urgente a mudança de mentalidade...

quarta-feira, 22 de julho de 2009

O Poder do voto

O que passo a relatar agora pode ter muitas interpretações dependendo do ponto de vista de cada um: para os muito sensiveis pode parecer triste (podem até chorar), os com grande senso de humor vão morrer a rir, mas a ideia é uma vez mais chamar a razão de forma coerente ao poder que nós temos sobre o país:



"A minha mãe é uma mulher dificil, complicada, ela dita as regras e nós seus filhos mas não seguidores temos que cumpri-las. Uma situação extremamente frustrante que acontece com muitos nesse país.



O facto é que um dia farta de baixar a cabeça, ou no dito popular, baixar as orelhas, porque é isso que um burro faz quando o outro fala, eu decidi agir (coisa que os moçambicanos ja deviam estar a fazer). Eu sempre acreditei nos que dizem que a união faz a força, eu sabia que sozinha eu não podia contestar muitas atitudes da minha mãe, mas se eu e meus irmãos nos reunissémos em um conselho familiar, de certeza chegavámos a algum lugar.



Expliquei-lhes a situação, concordaram em falarmos com ela logo depois do jantar e explicarmos o que nos deixava insatisfeito naquela coligação maternal, eu ficaria na frente do comité ali organizado ja que era a mentora da ideia. "Nada mais justo" pensei.



Assim que o jantar terminou, pedi-lhe para falarmos, comecei a despejar... a sentir-me aliviada, a procurar as palavras certas para explicar o descontentamento, ela ouviu tudo e assim que terminei mandou-me arrumar as minhas malas e sair da sua casa, que se eu não estivesse satisfeita ela não me queria do baixo do tecto dela, arrumei as malas e saí com muita dor e sem noção do próximo passo. Arrisquei e petisquei.



Olhem, o importante aqui não foi o desfecho da minha história mas sim a moral que isso traz, nós o povo Moçambicano precisamos disso, de atitude, de mostrarmos o nosso descontentamento perante várias acções do governo, eu garanto que o governo não vai ter a mesma atitude da minha mãe. Porque a minha mãe so teve aquela atitude porque ela sabe que passe o tempo que passar ninguem vai contestar o lugar que ela ocupa, nasceu filha, passou a mãe naturalmente. Mas se a minha mãe soubesse que a cada cinco anos eu e os meus irmão fossémos as mesas de voto para escolher a próxima matriaca a atitude dela, depois do jantar naquele dia teria sido completamente diferente.



Essa é a vantagem que nós como povo democrático temos, principalmente jovens. Nós podemos em massa como irmãos marcar uma reunião com o nosso pai governo e mostrar lhe o que não nos agrada no seu comportamento, e se formos uma maioria que não quer so fazer estatística eu garanto que seremos pacificamente ouvidos.



Se formos uma minoria, logicamente seremos abafados e calados, mas a ideia é sermos uma maioria organizada, e mostrarmos as nossas preocupações. Eu acredito sinceramente na minha pertpétua ingenuidade que o governo e o seu povo podem caminhar como pai e filhos e até amigos. Bastando para tal que tomemos para isso uma atitude, que agente se faça sentir. Porque resmungar pelos cantos, mostrando as nossas bocas compridas sem voz activa não nos transforma em lutadores, apenas fofoqueiros e intriguistas. Não esperemos que a mulher do salto alto veja que está a pisar no nosso pé descalço na corrida pelo pão, temos que ser nós a dizer a ela que nos está a esmagar.



Um elefante pode pisar uma formiga e esmaga-la com muita facilidade e nem dar por elas, mas não poderá fazer o mesmo se as formigar forem milhares e se aglomerarem a fazerem figura de rato.



Temos o poder do voto nas mãos, vamos acreditar em Moçambique a terra que nos viu nascer.

EU ACREDITO